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A importância da educação do olhar

A importância da educação do olhar

Ao ler o texto de Luciana Esmeralda Ostetto pude transportar meu pensamento para diversas semanas pedagógicas que participei. Ao preparar e discutir conteúdos programáticos, nós professores deixamos de lado o indivíduo enxergando o aluno, apenas como mais um número de chamada, que passará pelo nosso dia. Quando trabalhei com a Educação Infantil de uma escola de Curitiba, pude notar que o processo o ensino da arte é relevante ao aluno, pois proporciona inúmeras experiências, que segundo Anna Marie Holm engloba: controle corporal, coordenação, equilíbrio, motricidade, sentir, ver, ouvir, pensar, falar, ter segurança. E ter confiança, para que a criança possa se movimentar e experimentar. E que ela retorne ao adulto, tenha contato e crie junto. O importante é ter um adulto por perto, co-participando e não controlando. 

Nota- se que movidos pela necessidade do controle como educadores, somos induzidos a "podar" as inúmeras formas de pensar e explorar da criança. Dessa forma excluímos o indivíduo de experiências que proporcionariam a ela coragem e força. Exemplos como peças de teatro, desenhos, brincadeiras, são orientados pelo docente que acaba, deixando de conhecer o olhar do artista, considerando- o apenas mais um número durante o seu dia de trabalho.

Segundo que o sociólogo Pierre Bourdieu:

A escola, ao ignorar desigualdades culturais entre crianças de diferentes classes sociais ao transmitir os conteúdos que opera, bem como seus métodos e técnicas e os critérios de avaliação que utiliza, favorece os mais favorecidos e desfavorece os mais desfavorecidos.

Fica claro que nossa história é “tramada" nos tempos e espaços marcados pelas experiências compartilhadas com nosso grupo de convívio, inclusive familiar, assim como pelas referências culturais mais amplas. Sendo assim aponta-se que o professor deve ser o agente que identificará na trajetória da criança, o seu capital cultural que ocorre pela construção do conhecimento diário. Assim que constatado o nível de cada discente o educador tem como prioridade buscar formas que possibilitem experiências reais e simbólicas, pois como seres sócio-históricos os educandos devem ser olhados de formas que busquem possibilitar a interação com o meio em que estão inseridos, ampliando o arquivo de imagens isto reflete na elaboração de projetos artísticos diários.

Cunha (1999) afirma que ao ampliar o repertório das imagens e objetos também implica abastecer as crianças de outros elementos produzidos em outros contextos e épocas, como, por exemplo, as imagens da história da arte, fotografias e vídeos, objetos artesanais produzidos por culturas diversas, brinquedos, adereços, vestimentas, utensílios domésticos, etc.

Sendo assim, considera-se que o educador deva alimentar as diversas formas de inventar e descobrir, atentando-se para as particularidades poéticas de cada indivíduo, considerando-o como um agente ativo no processo sócio-educativo. O encontro entre professor e aluno por meio da ludicidade também é um recurso necessário na construção do conhecimento diário e as descobertas do mundo que permeia a criança, por meio de brinquedos, adereços e vestimentas, como apontado por Cunha.

 

Referências:

 

CUNHA, S. R. V. Pintando, bordando, rasgando, desenhando e melecando na educação infantil. In: CUNHA, S. R. V. da (Org.). Cor, som e movimento. Porto Alegre: Mediação, 1999. p. 14)

SANTOS, Lívia Gomes dos; LEÃO, Inara Barbosa. O INCONSCIENTE SÓCIO-HISTÓRICO: APROXIMAÇÕES DE UM CONCEITO. In: Psicologia & Sociedade. PUC Minas: Belo Horizonte, v 26, ISSN 0102-7182 38-47, 2014

Bourdieu, Pierre. Capital simbólico e classes sociais. In: Novos estudos. CEBRAP : São Paulo, n°.96, ISSN 0101-3300 . 2013.

OSTETTO, Luciana Esmeralda. Educação e Arte: Sentidos e práticas possíveis. UNIVESP: São Paulo, ISSN:2316-9036, 2006.

 

Educação do Futuro
Marco Antônio Ribeiro Merlin
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Especialista em Educação Inclusiva (2017), pelo Centro Universitário Uniandrade. Graduado em História (2016) e Pedagogia (2018), ambos pela Universidade Tuiuti do Paraná.

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