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Além dos rótulos de felicidade

Além dos rótulos de felicidade

 

Quero seguir com o tema. Os rótulos não deveriam ser tão importantes, mas sabemos no marketing e nos supermercados, o quanto eles são determinantes na compra de um produto. Na compra de ideias também. Rótulos podem ajudar ou atrapalhar.

No caso do tema felicidade, os rótulos costumam mais atrapalhar. Não fosse isso, um dos criadores da psicologia positiva, Martin Seligman, não se daria ao trabalho de criar a Teoria do Bem-Estar, diferenciando-a da inicial Teoria da Felicidade Autêntica. Não é, na verdade, uma nova teoria, mas uma evolução da primeira, com um novo rótulo, já que o termo felicidade, segundo o psicólogo, foi tão banalizado que perdeu o sentido.

Quando se fala em felicidade, para alguns, estamos falando sobre prazer, alegria e até um pouco de euforia. Seriam os momentos de êxtase. Eles fazem parte da felicidade, mas são apenas uma parcela.

Uma outra parte, nem sempre traz alegria. Cuidar de um filho, de uma empresa, de um projeto ou de uma causa que toca o nosso coração dá muito mais trabalho do que prazer. Mas representam o propósito ou o sentido, um outro tipo de felicidade. Neste caso, sem o Emoji da carinha sorrindo.

Para um outro pesquisador, Paul Dolan, a felicidade é simplesmente composta por estes dois tipos: prazer e propósito e que cada pessoa deve buscar a sua própria balança entre um e outro.

Há outros componentes da felicidade que são aceitos pela maioria que transita na psicologia positiva. Um deles é o engajamento, ou estado de flow, ou momento culminante, novamente, variando os títulos e rótulos, para coisas iguais ou muito próximas. De qualquer maneira, são momentos que combinam alta concentração e relaxamento, presença plena e distorção da percepção do tempo. Para Mihaly Csikszentmihalyi, estes momentos podem ser criados conscientemente em qualquer atividade e em qualquer tipo de trabalho. Ter mais momentos de flow no dia a dia aumenta a sensação de bem-estar.

Atingir objetivos, superar metas e realizar conquistas são também uma fonte de felicidade por si mesmas. Aqui não se está entrando no mérito se estes objetivos são positivos ou negativos ou se serão posteriormente fonte de felicidade ou de sofrimento. O ato da conquista em si é gerador de um tipo de felicidade. A nós cabe estabelecer objetivos positivos e criar placares que nos conduzam nesta direção. Estes placares tornam a jornada mais prazerosa.

Relacionamentos positivos são componentes essenciais da felicidade. Somos seres sociais e precisamos das outras pessoas. Precisamos estar juntos, pertencer e sermos pertencidos. Há um pensamento que diz que “ninguém suporta ver a beleza sozinho”, e isto diz tudo sobre a felicidade. Mesmo o maior egoísta do mundo sentiria a necessidade de compartilhar com alguém. O que os estudos mostram, porém, que é ainda muito mais do que isso. Contagiamos e somos contagiados, por exemplo, pelo otimismo ou pelo pessimismo. Conviver com pessoas otimistas ou pessimistas fará toda a diferença no nosso próprio estado de ânimo, e isto é fácil de comprovar. Assim, pode-se dizer que desenvolver emoções positivas é, por si só, um meio de boa ação.

E é na boa ação, que encontramos a maior fonte de felicidade, segundo apontam inúmeros trabalhos, realizados com todo o rigor científico. De todos os tipos e de exercícios geradores de felicidade, nenhum deles supera o ato da gentileza e do que chamamos, no Método MCI, de plantar felicidade. Pequenas ações no nosso cotidiano são produtoras de um bem-estar instantâneo, com efeito potencialmente duradouro. Não é apenas a religião ou a filosofia que diz. É hoje, também, a ciência.

Assim, vale o que as velhas mães costumavam dizer aos filhos, sem pensar em rótulos: “Filho, você está muito mal-humorado. Por que você não sai e vai fazer algo útil para alguém?”

 

Julio Sampaio (PCC, ICF)

Idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute

Diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching

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