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Com medo e com coragem

Com medo e com coragem

Cintia está em São Paulo há pouco mais de quinze anos. Veio transferida para uma filial do grupo de comunicação em que trabalhava, da mesma cidade de sua origem. Cintia tremeu pela primeira vez. Iria deixar a família, iria sozinha e São Paulo...São Paulo era São Paulo e podia engolir Cintia. Mas Cintia respirou fundo e foi, com medo e com coragem. Sua maneira positiva de encarar a vida lhe dizia que tudo ia dar certo.  

Passado algum tempo, Cintia se firmou como a principal executiva comercial da filial, ganhou prestígio na empresa e no mercado, tornou-se conhecida e querida. Fez amigos entre os liderados, clientes e pessoas de diferentes classes e origens. Conquistou também um pequeno patrimônio que lhe dava um saboroso gosto de vitória. Seus bons resultados não impediram que, numa reformulação da empresa, Cintia fosse desligada. Era hora de voltar?

Mas será que deveria voltar para sua cidade, com tão menos oportunidades e estilo de vida tão diferente? Sua mãe, uma pessoa simples, mas com a sabedoria que a luta da vida proporciona, lhe disse: “Cintia, seu lugar não é aqui. Você já venceu uma vez em São Paulo e vai vencer de novo”. Cintia tremeu a segunda vez. Respirou fundo novamente e, novamente com medo e coragem, foi. Mas não foi atrás de qualquer coisa, foi atrás de seu Propósito. Surgiram boas alternativas do ponto de vista financeiro, algumas boas empresas, mas não atendiam a este novo sentido de Cintia, que começou a vibrar forte em seu coração.

Ela era conhecida e conhecedora do mercado de comunicação, com entrada em importantes marcas e em agências de publicidade. Era sensível a diferentes causas sociais e era capaz de gerar conexões que fariam diferença na vida de muitas pessoas e instituições do terceiro setor. Sabia que haveria dificuldades, mas sentia-se com força. Além disso, percebia sinais do universo que a encaminhavam para este novo local. Sentia medo, mas também coragem. Surgiu a empresa que era o seu Propósito.

Os negócios fluíram, não sem dificuldades inesperadas. Não na velocidade que Cintia gostaria. Nem todos os resultados foram monetizados e, para ajudar pessoas e instituições, o Propósito precisava ser autossustentável. Mesmo gradualmente, com algumas oscilações, isto vinha sendo conseguido, o que mantinha Cintia otimista e esperançosa, valorizando cada progresso e oportunidade. Até que...veio a pandemia.

Não é preciso falar sobre o impacto na vida de todos e na maior parte das empresas. Outras crises, econômicas, políticas e agora hidrelétrica, agravam a situação. Cintia segue com maiores desafios. Alguns passos para trás foram dados, mas novas oportunidades foram geradas. Para cada projeto, muito mais “nãos”, mais dificuldades de acesso, muito mais esforço para conseguir fazer o bem. E inevitavelmente, em um dia de maior fragilidade, Cintia se questiona: “O que vem por aí? Como me proteger disto tudo? É hora de recuar? Estaria eu vivendo um sonho que não dará em nada? Que não tem conexão com a realidade?

E neste momento, não existem respostas fora. Somente Cintia é capaz de buscá-las dentro de si mesma. O que seria estar desconectada com a realidade? Será que não seria estar vivendo fora de seu Propósito? O que Cintia já conseguiu até agora? O que o universo está lhe abrindo de possibilidades? Os seus maiores desafios são estruturais (tendem a ser mais duradouros e de difícil transformação) ou conjunturais (frutos do momento em que passamos)? Quão forte é o Propósito de Cintia?  Novas palavras vêm à mente de Cintia como gratidão, desapego e resiliência. Cintia treme pela terceira vez. Respira fundo e novamente, com medo e com coragem, vai.

 

Julio Sampaio (PCC, ICF)

Idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute

Diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching

Autor do Livro: Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital), dentre outros

Texto publicado no Portal Amazôna e no https://mcinstitute.com.br/blog/

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