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O que a vida espera de você, neste momento?

O que a vida espera de você, neste momento?

Uma conhecida, que vou chamar de Maria, pediu demissão do emprego, reuniu a sua poupança e tudo que conseguira para realizar um sonho: ser dona de seu próprio negócio. Antes disso, ela fez um curso de empreendedorismo, buscou consultorias especializadas, pesquisou o mercado e encontrou um ótimo ponto para o seu restaurante de comida alemã. Descendente de alemães, Maria tinha ainda, como carta na manga, algumas receitas infalíveis de sua avó, que por décadas, teve o seu próprio restaurante em Munique. A data escolhida para a inauguração era o seu dia de sorte, 18. O mês era março. O ano, 2020, o da pandemia.

Todos os planos de Maria precisaram ser modificados e não apenas o dela, mas de muitas pessoas. Negócios morreram antes de abrir, casamentos foram transferidos, sonhos, adiados ou cancelados. O que a vida esperava de Maria e de tantas pessoas? O que a vida espera de mim e de você, caro leitor?

A questão me passou quase despercebida. Quem a traz é Viktor Frankl, que dispensa apresentações. Sobrevivente de Auschwitz, é o criador da Logoterapia, escola de psicoterapia centrada no sentido e, dentre outras obras, autor do clássico Em Busca do Sentido, que se você é um dos meus caríssimos dezessete leitores, já o viu mencionado algumas vezes em outros artigos.

A pergunta inverte a lógica usual. Ela difere de outras presentes em processos de autoconhecimento. Quais são os nossos sonhos? Quais os nossos objetivos e metas? O que transformaremos em projetos? O que desejamos? O que podemos esperar da vida? São questões reflexivas, de caráter prático, que contribuem para que exerçamos a responsabilidade de nossas escolhas.

Frankl, aparentemente contrariando esta lógica, vai além quanto à questão da responsabilidade e afirma que: “a pessoa não deveria perguntar qual o sentido da vida, mas antes deve reconhecer que é ela que está sendo indagada”. Sim, a vida nos traz surpresas. Não temos gestão sobre grande parte dos acontecimentos que nos afetam diretamente. Epidemias, guerras, crises econômicas, catástrofes ambientais, a morte de pessoas que amamos, o humor do chefe, as escolhas da mulher, do marido, dos filhos e dos netos, a opinião das outras pessoas, o comportamento dos clientes. Diante de cada situação, qual é o meu melhor? O que eu tenho a oferecer? Como construir felicidade para mim e para outras pessoas diante de tantas incertezas?

Vem do próprio Frankl a reflexão que pode ser uma resposta: “cada pessoa é questionada individualmente pela vida, somente podendo responder com a sua própria vida e sendo responsável”. Em outras palavras, para sermos e fazermos o nosso melhor precisamos assumir conscientemente a nossa responsabilidade e, sem ilusões, enfrentar a realidade que nos é apresentada, tal qual ela é. Algumas poderão ser difíceis, mas o que é o nosso melhor diante dela? Frankl enfrentou situações inimagináveis em campos de concentração e observou como os seus companheiros reagiam: “alguns agiram como ratos, outros como santos, de cabeça em pé”.

Se há tantas coisas que não dependem de nós, há muitas que sim e sempre haverá uma melhor maneira de lidar com qualquer delas. Uma das mais importantes pode ser assumir uma atitude emocionalmente positiva, baseada em aspectos como o sentido de missão e de propósito, a resiliência, a gratidão, a ajuda a quem está próximo. De acordo com o método MCI, estas são algumas das ações de construção consciente de felicidade. Todas elas são respostas responsáveis à vida. Ao menos é o que ela pode esperar, o melhor de cada um de nós, a cada momento. Maria deu a sua resposta, foi o seu melhor. Parabéns, Maria.

 

Julio Cesar Sampaio (PCC, ICF)

Idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute

Diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching

Educação do Futuro
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