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PRECISAMOS DE UM PASSAPORTE DIGITAL : INICIANDO UMA FORMAÇÃO

PRECISAMOS DE UM PASSAPORTE DIGITAL : INICIANDO UMA FORMAÇÃO

 

Continuando nossa Odisseia nesta série de reflexões de como nos tornar um professor digital, nossa inclusão no mundo digital passa por uma formação, além  da conectividade apontada anteriormente que é apenas a ponta do iceberg sem a qual tudo será  inútil. 

2020 obrigou as escolas na medida do possível  praticarem o ensino remoto e de norte a sul os docentes fomos pegos de surpresa, sem uma formação/preparação adequada para enfrentar os novos desafios. Assistimos nas mídias um debate sobre o retorno as atividades presenciais em meio a uma pandemia que está ceifando milhares de vidas. A vacinação no Brasil caminha a passos de tartaruga devido inoperância do governo central e somente agora os professores vão iniciar sua imunização, condição sem a qual o retorno ao “novo normal” e segundo prognósticos de especialistas ainda vai demorar um pouco e poderemos aguardar mais 1 ano, ou seja, esqueçam 2021….

Essa problemática da formação dos professores não é de hoje. Na década de 90 o MEC criou a TV ESCOLA, proveu as unidades de ensino de antenas parabólicas visando a formação dos professores e apesar desses esforços , quando este e qualquer projeto chega nas escolas uma serie de problemas surgem.

Em frente,  atuando numa oficina pedagógica do DF participei de diversos cursos de formação foi quando percebi o total despreparo de meus pares quanto ao uso das novas tecnologias e desde então tenho me ocupado desses aspectos e esses posts publicados aqui  são frutos desta busca e com algumas alterações , pasmem são de 2011.

Pode parecer  anacrônico e sem sentido, e como já falei anteriormente trataremos de um aspecto que a meu ver é crucial: nossa a transformação em professores digitais a partir de formações diversas. Segue uma das inúmeras dificuldades para o sucesso nesta empreitadas: “O “MEDO DE ERRAR”. 

O brinquedo enquanto elemento lúdico de aprendizagem ajuda o desenvolvimento das crianças. As descobertas, tentativas e confirmações de teses que se formam, montam o repertório do conhecimento infantil. Nossos jovens encaram o computador, celulares, tablets e o que mais possua uma tela colorida e vistosa desta maneira, lúdica. Não perdem tempo lendo manuais. Simplesmente tentam sem medo algum. Em pouco tempo de exploração tornam-se experts e dominam com uma facilidade que nos fascina. Existe um fator determinante nestas aprendizagens: a memória. Eles prestam atenção em tudo, memorizam os passos lógicos. Conseguem memorizar a dinâmica dos passos para cada tarefa. Também a falta de conceitos (ou preconceitos), facilita sua atividade exploratória. Não trazem a imensa carga negativa do não faça isto ou aquilo. Como são deixados livremente sem interferência de adultos, aprendem naturalmente, (além de disporem de todo tempo do mundo) e compartilham entre si os conhecimentos adquiridos, num processo cooperativo, solidário que infelizmente nós adultos deixamos de vivenciar. 

Este método da tentativa acerto/erro é utilizado largamente. Como não partem de nenhuma premissa, mas testando as possibilidades existentes, acabam aprendendo por conta própria . Como já foi dito, a ausência de adultos apontando erros é o fator mais significativo dentro deste processo. 

Como professores temos como dever de ofício, corrigir , apontar e destacar os erros. Ensinar o certo é nossa obrigação, porém a forma como atuamos acaba bloqueando e vamos inconscientemente cortando todo tipo de expressão. Quando nossos alunos chegam ao final de sua escolarização, se fosse realizada uma avaliação “real” dos resultados alcançados ao longo deste processo, teríamos uma triste constatação: não conseguimos formar leitores, escritores, pesquisadores, artistas e principalmente cidadãos críticos e atuantes. Se as escolas colocassem uma caixa para consultar a grau de satisfação dos nossos clientes que  a nota teria?

Bom voltando ao nosso foco da questão do erro. O feitiço acaba virando contra o feiticeiro. O nosso medo de errar acaba se transformando em nosso maior inimigo. Nossa autocrítica penaliza nossa atuação frente às telas digitais. Agora relembre como foi seu passado estudantil, o momento político que viveu, sua formação universitária e como era a sociedade .

Nossa educação foi individualista, competitiva (continua) e fazíamos parte de equipes. Nosso mundo atual vivemos profundas contradições. Ao mesmo tempo que busca um desenvolvimento sustentável, continua sua ação predadora dos recursos naturais, num consumismo extremado. 

No campo das comunicações a popularização da internet causou mudanças dos paradigmas até então vigentes. A informação passou a ser veiculada sem restrições, barreiras ou restrita aos grupos que detinham o saber. Hoje temos acesso on-line de tudo que acontece. Essa nova forma de trabalhar não faz parte do nosso repertório. 

Precisamos urgentemente fazer esse upgrade. Nossos hardwares e softwares estão totalmente ultrapassados. E vivemos esse conflito em nossas escolas. Essa dificuldade não é privilégio do Brasil, acontece em todo planeta.

Estagnados, assistimos avanços e novidades. Ondas surgem a todo instante: ICQ, MSN,. ORKUT! FACEBOOK!INSTAGRAM,  YOUTUBE....hoje temos também o WHATSAPP ...e haja novidade para acompanhar. Estamos tão ocupados com o passado (90%), que sequer dispomos de tempo para nossa atualização e utilizamos apenas de 10% para o nosso futuro. É como se estivéssemos dirigindo o carro da educação olhando pelo retrovisor. 

Estamos desperdiçando o imenso potencial de aprendizagens que as novas tecnologias de informação e comunicação possuem junto às crianças e adolescentes. Assistimos deturpações em relação às redes sociais, Twitter são pouco utilizados para aprender.

Dando apenas uma pitadinha sobre as redes sociais, vou citar o Twitter, que possibilita o acesso instantâneo à informação. Com tradutores, a barreira da língua pode ser superada on-line,  é a melhor forma de sabermos das últimas novidades. Você já tem um Twitter? A aldeia global profetizada por McLuhan virou realidade. O que assistimos nos chamados filmes de ficção cientifica está sendo ultrapassado por uma realidade mais avançada e aprimorada. Vivemos num momento em que alguns estão chamando de Renascimento 2.0. O digital abalou todas as estruturas. A produção documental cresceu assustadoramente. A nova Babel está em construção contínua. O mundo enquanto lugar de seres inteligentes, interligados, livres das diferenças que sempre nos separaram está cada vez mais on-line. 

Ligados pelos muitos nós, estamos nos transformando em cidadãos planetários. As divisões políticas e culturais que ainda existem estão desaparecendo... tudo são reflexões livres, neste diário digital compartilhado, aberto, incompleto e que tem apenas a pretensão de tentar desvendar este emaranhado de variáveis existentes. Na medida do possível e até onde puder ir, vou postando. 

P.S. Os posts aqui publicados fazem parte de uma serie que estou revisando. Com uma década perdida continuam atuais. Esse olhar para trás serve apenas para constatar que não é de hoje essa preocupação ...

Texto escrito em 7 de abril de 2011 com algumas alterações….

Educação do Futuro
Ediberto Queijada de Souza
Ediberto Queijada de Souza Seguir

Descendente de Don Quixote e suas lutas busco construir pontes entre o passado e o futuro, bem como destruir os muros que nos separam

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