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As dimensões da transformação digital nas escolas

As dimensões da transformação digital nas  escolas

Com a aceleração da educação on-line, escolas de todos os níveis tiveram que embarcar na transformação digital da noite para o dia. Em velocidade máxima, os departamentos de TI e TE – Tecnologia da Informação e Tecnologia da Educação - incorporaram plugins e pacotes de suporte que permitiram a volta às aulas, no ambiente on-line.

Atualmente, muitas escolas ganharam novas plataformas e novos processos. Há inclusive instituições que elegeram um professor/professora com habilidades para dar um “show” nas aulas on-line para todas as turmas simultaneamente, enquanto os demais cumprem a tarefa de tirar dúvidas. As avaliações e métodos de acompanhamento também tiveram grandes avanços com softwares de engajamento e de “personalização” da aprendizagem baseado nos erros e acertos.

Tudo isso é maravilhoso. Mas, não podemos “escorregar”!  O “escorregão” acontece quando substituímos algo genuíno e personalizável por algo terceirizado, sem dar a devida atenção ao que estamos perdendo. Delegar a transformação digital da sua escola somente à softwares e plataformas prontos para uso pode implicar uma comoditização capaz de corroer rapidamente o valor e a reputação construídos por décadas.

O antídoto para isso é construir uma transformação digital conforme a cultura da escola, preparando toda a comunidade escolar para viver essa realidade e usufruir dela. Serviços escaláveis podem não oferecer essa possibilidade, porém as consultorias personalizadas sim.

À frente de consultorias, vejo como a transformação digital é incorporada e assumida pela equipe pedagógica quando "fala a língua da instituição e de sua comunidade". Já assumi escolas que adquiriram plataformas maravilhosas e programas padronizados que pouco conversavam com a realidade e projeto pedagógico da instituição. Eles são aos poucos deixados de lado ou então executados porque "tem que ser", sem intencionalidade pedagógica e desconectados do objeto do conhecimento.

A competência 5 da BNCC trata da incorporação da tecnologia ao currículo escolar não só como ferramenta (recursos multimídia, computadores, óculos VR, Chromecast etc.), mas como uma nova forma de expressar conhecimentos. Ao estarmos imersos num mundo cada vez mais tecnológico, precisamos compreender, utilizar e criar tecnologia no dia a dia da sala de aula, utilizando-a com intencionalidade e foco no desenvolvimento de habilidades.

Em Lévy (1999) vimos que os indivíduos juntos inventam, produzem, utilizam e interpretam de diferentes formas a tecnologia. E nesse sentido, elas não são determinantes, mas sim condicionantes das transformações na sociedade.

Ao incorporar a tecnologia no currículo, atividades e projetos que compõem a trilha de aprendizagem dos estudantes, é fundamental romper com a visão reducionista de que a tecnologia é somente uma ferramenta. Além de ferramenta, a tecnologia é uma forma de pensamento, de criação, de expressão dos conhecimentos e, portanto, uma linguagem.

Como linguagem a tecnologia envolve a manifestação de saberes, culturas e inteligências, a construção de pensamentos lógicos, a expressão criativa e artística e a expressão social e ética. Como ferramenta, a tecnologia favorece as práticas e usos de metodologias ativas, além de permitir aos estudantes e professores entrar numa nova cultura de trabalho e aprendizado colaborativo.

Transformação digital envolve pessoas! A tecnologia é um recurso poderoso, porém mais do que comprar esses recursos, as instituições de ensino precisam cuidar para que eles sejam incorporados ao fazer pedagógico. Esse processo demanda uma formação personalizada e continuada da equipe pedagógica e do professor.

Referências: LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

Educação do Futuro
Débora Oliveira Lana
Débora Oliveira Lana Seguir

Lidera a equipe pedagógica da DHEL e atua em consultorias e formação personalizada de equipes pedagógicas para incorporação da tecnologia como linguagem, construindo a transformação digital em sintonia com a cultura da escola. É mestre em Educação.

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