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Como a sociedade multimodal, simultânea e complexa está impactando a formação do novo profissional?

Como a sociedade multimodal, simultânea e complexa está impactando a formação do novo profissional?

A Idade Moderna nos apresentou uma visão fragmentada, dualista e reducionista do conhecimento, do homem e do mundo. Essa lógica racional e fragmentada que nega a subjetividade e separa o corpo da mente é conhecida como paradigma cartesiano ou tradicional. Esse modelo, que está inscrito culturalmente em nossa sociedade, trouxe consigo a ideia da polarização, do “ou”, a ideia de que somos bons ou maus, competentes ou incompetentes, tristes ou felizes, etc. O paradigma cartesiano busca uma totalidade, uma completude, uma resposta única, é simplificador, reducionista, consequentemente, traz ordem e explicações. Esses fatores tranquilizam o Homem e talvez seja esse o motivo que permitiu com que o paradigma tradicional se perpetuasse até os dias de hoje.

Entretanto, não somos “isso ou aquilo”, somos “isso e aquilo”, pensamentos simplificadores e binários não respondem mais as necessidades do mundo que conhecemos hoje. Os desafios que a sociedade atual nos apresenta, nos obrigam a ter um novo olhar e nos impõe o exercício de um novo pensamento, capazes de enfrentar a complexidade real da vida simultânea que vivemos hoje. Somos simultâneos e estamos submersos na superabundância de informações e na dificuldade de contextualizá-las, organizá-las e compreendê-las (Morin, 2013). Ainda segundo MORIN (2015, p.69) “a consciência da multidimensionalidade nos conduz à ideia de que toda visão unidimensional, toda visão especializada, parcelada, é pobre”. As incertezas e contradições, nos levam ao reconhecimento e a busca por um novo modelo, algo que atenda não somente as necessidades, mas as vontades e interesses pelo novo que nos é apresentado todos os dias. Precisamos religar o que foi desconectado no passado.

A complexidade ou pensamento complexo não são o oposto de pensamento simples. O pensamento simples busca a completude, a resposta única, a solução definitiva, enquanto o pensamento complexo busca articulações, é parte de um processo contínuo, inacabado, inconcluso, é multidisciplinar.

Como isso tudo está conectado ao novo profissional e ao mundo do trabalho nas organizações? O mercado de trabalho, fortemente impactado por todas essas mudanças, está cada vez mais dinâmico e exigente, procura por profissionais que enxerguem a organização em toda sua amplitude. Hoje, adaptabilidade é palavra de ordem, ter visão sistêmica, conhecer todo o processo onde se está inserido, ter facilidade para se adaptar as novas situações, são as qualidades e competências mais exigidas pelo mercado. O tempo de ser especializado em uma única área do trabalho acabou, precisamos nos permitir fazer conexões ligar e religar, aprender, desaprender e reaprender. O novo profissional precisa comunicar tudo com todos, pois esta postura é hoje condição fundamental para o desenvolvimento do profissional com alta capacidade interpretativa e tão necessário no contexto atual. Isso dito, fica a pergunta: Como as empresas estão recebendo e apoiando a formação desse profissional multicompetente e complexo?

Sabemos que ao mudar o pensamento mudamos também a nossa relação com o conhecimento, mas como as empresas estão promovendo o compartilhamento de conhecimentos? De que forma as empresas têm dado espaço para que seus colaboradores façam as conexões tão importantes para seu desenvolvimento e desempenho de suas funções? Como os líderes têm apoiado o processo de desenvolvimento de suas equipes e como eles próprios tem se desenvolvido?

Minhas reflexões me levam mais a uma inquietação do que efetivamente a uma conclusão, até mesmo porque somos inconclusos por natureza. Sabemos que educação formal e o contexto escolar estão timidamente tentando promover experiências fundamentadas na complexidade por meio de movimentos interdisciplinares, mas ainda estão longe de serem capazes de apoiar a formação do homem total, do articulador de conhecimentos e ações, do profissional complexo e simultâneo.

Silvia Armada

 

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Apaixonada por aprender é especialista em desenho de soluções de aprendizagem, facilitadora com  20 anos de experiência em educação, desenvolvimento humano e formação de formadores. Doutoranda pela UFRJ.

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