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Feedback ou Encontros Formativos?

Feedback ou Encontros Formativos?

A palavra feedback, segundo o dicionário Aurélio significa: “Um processo de retroalimentação, que se caracteriza justamente pelo dar e receber informações sobre si e os outros, na medida em que vão ocorrendo as interações e relações entre pessoas ou grupos.” Como podemos observar, não existe qualquer julgamento de valor nessa definição, nenhuma conotação negativa ou positiva sobre o termo, isso é o que chamamos de significado de uma palavra, ou seja, o que está dicionarizado. Entretanto, precisamos olhar os sentidos atribuídos à palavra feedback. O sentido de uma palavra é a carga que ela carrega e que não está nos dicionários. Hoje, na grande maioria das vezes, quando falamos ou ouvimos a palavra feedback, imediatamente a conectamos a uma intervenção, reunião ou encontro pouco positivo entre líder e liderado. Muitos são os movimentos para se quebrar esse tipo de interpretação, para se desmistificar o termo, mas todos sem sucesso. Não adianta, falou em feedback, imediatamente somos remetidos a um momento problema, a uma conversa difícil. O fato é que foram muitos anos de muita prática equivocada, onde o momento de feedback foi, e infelizmente ainda é, usado somente para apontar inconsistências de performance, o que geralmente leva a um sentimento de desvalorização, desmotivação e consequente fragilização das relações. Existem até regras para essa intervenção, como o feedback sanduíche, começa com algo bom, vai ao ponto, e conclui com algo positivo. Isso de nada adianta, todos já conhecem o script, sabemos que o recheio do sanduíche é o causador da reunião. Como podemos então contornar essa situação, uma vez que sabemos e concordamos que esse momento chamado de “feedback”, quando usado de forma consistente, é um importante mobilizador do processo de transformação? Faço aqui então um convite à reflexão de dois pontos: o primeiro está relacionado ao uso do termo “feedback”, e o segundo sobre o que esse momento oferece e propõe aos envolvidos.

Não podemos ignorar a força de sentido que as palavras carregam, por isso acredito que o fato de renomear o termo tem um grande impacto. Entretanto, substituir o termo, de nada adianta se as práticas continuarem as mesmas. Isso dito, vamos falar sobre Encontros Formativos?

O momento de feedback, em teoria, tem como principal objetivo o desenvolvimento e transformação de um indivíduo, geralmente o liderado. Já nos Encontros Formativos, o desenvolvimento é visto sempre como uma transformação coletiva e não individual, ou seja, líder e liderado se transformam no processo. Pode parecer óbvio que ambos saem transformados, mas colocar essa dupla transformação como objetivo do encontro, pode mudar muita coisa.

Nos Encontros Formativos, os motivos não são procurados nos sujeitos individuais, mas na questão a ser transformada, o foco é outro. Sabemos que, de forma geral, o motivo desencadeador do processo de intervenção é sempre contraditório, mas nesse tipo de encontro as contradições são vistas como a força que move a transformação. As vozes, contraditórias e complementares da questão em análise, devem ser envolvidas e utilizadas. Contradições significativas são aquelas que proporcionam a construção de novos conhecimentos, novas formas de pensar, agir e tem o ciclo de vida bem mais longo.

Em meu próximo artigo escreverei sobre como conduzir Encontros Formativos que promovam a transformação coletiva. Abordarei ainda como explorar os motivos contraditórios e forma a torná-los agentes mobilizadores para uma mudança engajadora e significativa.

 

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Silvia Armada
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Apaixonada por aprender é especialista em desenho de soluções de aprendizagem, facilitadora com  20 anos de experiência em educação, desenvolvimento humano e formação de formadores. Doutoranda pela UFRJ.

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