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O novo profissional transdisciplinar das organizações. Um desafio para educação corporativa?

O novo profissional transdisciplinar das organizações. Um desafio para educação corporativa?

A princípio, o título do artigo pode sugerir que estejamos falando de algo novo para as organizações, um pensamento e forma de atuar inéditos. Entretanto, ao entender transdisciplinar como a vida nos limites disciplinares, que em termos práticos, se traduz na expectativa das empresas por profissionais que sejam capazes de articular sistemicamente seus conhecimentos/ações e que tenham uma atuação abrangente, me distancio da possível concepção de um conceito inédito e inovador.

O que proponho aqui é um convite à reflexão sobre o paradoxo que hoje paira sobre as organizações, que por um lado demandam um profissional com atitude, postura e performance transdisciplinares, capaz de transitar entre as áreas da empresa, atuar em diversas posições e pensar sistemicamente, mas que por outro, promovem inciativas de desenvolvimento fragmentadas, dentro de caixinhas, que repetem o modelo de educação cartesiano que conhecemos.

O cerne do pensamento tradicional cartesiano é o entendimento de que os eventos, fatos e fenômenos podem ser melhor analisados e compreendidos se as partes que constituem o todo forem fragmentadas para melhor serem estudadas e compreendidas. Na educação, o resultado da fragmentação do conhecimento gerou um olhar disciplinar sobre os saberes, gerando áreas particulares de especialização e como resultado uma concepção de vida em sociedade embasada em isolamento, individualismo, falta de visão do todo e competitividade. Entretanto, as necessidades e a complexidade do mundo atual, nos apresentam a necessidade de um movimento de religar o que desconectamos no passado, pois o pensamento linear tradicional cartesiano é impotente para atender às demandas e questionamentos do mundo contemporâneo.

Atualmente, na educação corporativa, as empresas apresentam as seguintes características de desenvolvimento e modelos de atuação:

  • As que não têm iniciativas de educação corporativa organizadas e que mediante uma situação problema, promovem uma ação corretiva;
  • As que têm iniciativas de desenvolvimento estruturadas e mediante demanda, também promovem uma ação corretiva através de treinamentos;
  • E aquelas que veem a educação corporativa como um pilar estratégico, com ações de desenvolvimento alinhadas ao negócio, esse perfil de empresa não reage a um problema, se antecipa à ele.

Não resta dúvida de que este último modelo é o que melhor responde às necessidades da empresa. Mas, acredito ser possível dizer que nenhum dos modelos citados considera desenvolver e preparar um profissional para um olhar transdisciplinar. Existe um grande descompasso entre o que as empresas esperam de seus profissionais e o modelo oferecido pela educação. Como podemos articular a proposta fragmentada da educação corporativa, que claramente é um reflexo do pensar compartimentado da sociedade e das empresas, às necessidades e expectativas de um profissional capaz de articular a comunicação de tudo com todos?

A educação formal está timidamente tentando promover experiências interdisciplinares e transdisciplinares, mas ainda está longe de ser capaz de apoiar a formação do homem integral, articulador de conhecimentos, do profissional transdisciplinar, pronto para ingressar no mercado de trabalho. Ainda estamos muito distantes do momento de romper com a fragmentação dos saberes e com a concepção cartesiana de mundo. Estamos diante de um novo paradigma a ser constituído para as empresas, assim como para toda a sociedade. Nos resta atuar para que o movimento de mudança ganhe força no contexto educacional formal para que impacte a educação corporativa, ou vice versa, como já vimos acontecer em décadas passadas, quando a educação corporativa assumiu um papel social relevante ao trazer para dentro das empresas o processo de desenvolvimento profissional de seus colaboradores, apoiando o momento de crescimento do Brasil.

Silvia Armada

Educação Corporativa

Educação do Futuro
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Apaixonada por aprender é especialista em desenho de soluções de aprendizagem, facilitadora com  20 anos de experiência em educação, desenvolvimento humano e formação de formadores. Doutoranda pela UFRJ.

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