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Profecias autorrealizáveis

Profecias autorrealizáveis

Nossa consciência possui capacidade limitada de captar e registrar informações. Como nos ensina Mihaly Csikszentmihalyi, o que chamamos de nossa história de vida é apenas parte do que a nossa consciência foi capaz de apreender, sendo um processo seletivo, em parte, distorcido. Assim, podemos concluir que a percepção sobre uma determinada ocorrência nunca é exatamente fiel. Ela passa por diversos filtros, dentre eles, os nossos sentidos, o nosso estado do momento e, especialmente, as nossas crenças, herdadas ou que foram e serão criadas ao longo de nossa existência. Não seria exagero dizer que estas crenças se transformam muitas vezes em profecias autorrealizáveis. Algumas nos aproximam; outras, nos distanciam da felicidade.

Leila já realizou coisas importantes na vida. Com um pouco mais de 40 anos, é empresária no setor de ensino, e seus negócios seguem relativamente bem, apesar de todas as dificuldades geradas pela pandemia. Seu único filho, um jovem de 20 anos, está bem encaminhado e faz faculdade em outra cidade. Sua mãe, irmã e irmão estão sempre juntos e uns servem de rede de proteção aos outros. Leila também tem muitos amigos, é querida pelas pessoas que convivem com ela e está sempre estudando, desenvolvendo-se como pessoa e como profissional. Possui ideais e um propósito de ajudar mulheres em condições de desigualdade social. Para esta causa, Leila oferece mais do que dinheiro, seu precioso tempo. É algo que toca o seu coração e faz vibrar genuinamente. Leila, pode-se dizer, é uma mulher bem-sucedida em muitas áreas de sua vida. Talvez, com exceção de um: o de relacionamentos amorosos.

“Desde cedo eu soube disso, quando ainda era adolescente. Não nasci para ter sorte com o amor. Só conheci homens que, ou não me amavam de verdade ou que, descobria depois, não tinham caráter. Sempre soube que amor não era para mim, mas para minha irmã, que sempre teve sorte. Lá em casa, todos nós sabemos disso. No momento, estou conhecendo uma pessoa, mas sei que não dará certo. Ele parece perfeito demais, age como se estivesse apaixonado, mas eu já sei no que vai dar. A qualquer momento, vou descobrir algo que ele esconde ou, então, ele vai mudar de comportamento. É o que sempre acontece”.

Flávia também cresceu com algumas certezas. Ela não nasceu para ter sucesso profissional e para ganhar dinheiro. Para ela, sua história prova isso e se confirma com o passar dos anos. Apesar de sua ótima formação escolar e técnica, as melhores vagas nunca foram para ela. Ia até o final do processo de seleção, já sabendo que o final não seria diferente, a escolha não seria por ela. Chegava a apostar com as amigas, e o fato de já esperar pelo pior amenizava a frustração. Flávia não queria se decepcionar mais e, por isso, sofria menos. Também no campo financeiro ocorria o mesmo. O dinheiro que ganhava não rendia e estava sempre em apuros. Mesmo a herança que recebera dos pais, e que não era uma quantia pequena, desapareceu em pouco anos, sem ela saber explicar. Não sabia como, mas ela entendia o porquê. Ela não nasceu para ter dinheiro, assim como não para ter sucesso profissional. Sua história era uma prova disso e qualquer um poderia constatar isso.

Mesmo sem conhecer Leila e Flávia, o que você diria, caro leitor, das certezas que elas possuem? O que estão dizendo para si mesmas, para seu cérebro, seu espírito? Que realidade estão construindo para si mesmas? Por que elas, e nós também, fazemos isto conosco mesmos, sem perceber, com as melhores das intenções e com as mais absolutas convicções? E se nós, e elas, contássemos uma nova história?

                                                              

Julio Sampaio (PCC, ICF)

Idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute

Diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching

Autor do Livro: Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital), dentre outros

Texto publicado no Portal Amazôna e no https://mcinstitute.com.br/blog/

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