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Os caminhos para a mudança

Os caminhos para a mudança

A escola está atingindo seu ponto de inflexão. Depois de décadas trabalhando em um sentido seguro, com objetivos claros e únicos, estamos próximos de uma virada na história da gestão administrativa e pedagógica das instituições de ensino básico.

 

O passado, que ainda é presente

Historicamente os tempos educacionais sempre foram marcados por três fatores: a idade do aluno, o objetivo único do projeto educacional e os interesses dos adultos.

Partindo do princípio de que a meta de 99% das escolas de ensino básico é a aprovação em provas de acesso ao ensino superior, os 14 anos de Ensino Básico foram subdivididos em etapas com objetivos claros:

Dos 3 aos 5 anos o aluno precisa aprender conceitos básicos de formas, cores e volumes, seguir desenhos pré-definidos e ter firmeza nas mãos e braços para poder movimentar um lápis com destreza.

Aos 6 anos de idade o aluno deve consolidar sua alfabetização e ampliar conceitos matemáticos.

Dos 7 aos 10 anos os conteúdos iniciais são apresentados, em um segmento que educa gradativamente para o individualismo: as carteiras se separam com o tempo, os materiais são cada vez menos coletivos e as avaliações são exclusivas de cada aluno.

Dos 11 aos 14 anos a disciplina ganha destaque, junto com o cerceamento da fala, o treinamento da audição (atenção ao professor é primordial) e a repetição para a aprendizagem (os deveres de casa são mais extensos e individuais). Junto com o pacote chegam as provas simuladas e os métodos comparativos de aprendizagem baseados em medição de acúmulo de conhecimento.

A partir dos 15 anos o aluno entra na reta final para as provas de acesso ao ensino superior. É chegada a hora da corrida pelo volume do conteúdo em curto espaço de tempo, livros com centenas de folhas de conteúdos, cadernos de muitas matérias cheios de anotações e muita atenção ao que o adulto explica. Importa mais o que o aluno consegue reproduzir em uma prova escrita do que seu comportamento para a mudança da sociedade.

Aos 17 anos chega a hora da primeira tentativa de acesso ao ensino superior. Se o aluno falha, repete em 1 ano o que ele passou nos últimos 3 anos. E esse ciclo se repete até que ele obtenha êxito ou desista.

Talvez você não lembre de 80% do tempo que passou na escola durante 14 anos da sua vida, em um tempo que não volta.

Provavelmente você participou desse ciclo de vida, que deixou saudades pelos amigos que você fez, pelas brincadeiras e esportes, ou pelos professores que permitiam a fala ou brincavam com os alunos (infelizmente quase sempre esses são a minoria).

 

O ponto de inflexão

Estamos atingindo o momento em que esse modelo passa a ser questionado pelos alunos e seus responsáveis. Os modelos atuais de trabalho cobram que o bom relacionamento entre os membros de uma equipe seja tão importante quanto os conteúdos aprendidos.  E todos nós aprendemos a lidar com pessoas quando aprendemos a expor nossas ideias e opiniões, ouvir o outro, desaprender e reaprender.

O ponto de inflexão acontece quando percebemos que as próprias universidades cobram alunos diferentes do modelo que eles selecionam.

Isso acontece quando a seleção é realizada com base em memorização de conteúdos, o desenvolvimento do aluno acontece com base na capacidade dele aprender.

Ou porque as empresas passaram a entender que não precisam de profissionais com diploma de nível superior para desempenhar funções que não exigem formação específica.

 

Os caminhos da mudança

A pressão começa a chegar nas escolas, e foi agravada com a imposição de um modelo de ensino remoto. As escolas que desempenham melhor o seu papel são justamente aquelas que não reproduzem o modelo educacional tradicional no seu dia-a-dia e, por isso, não replicaram este modelo para o ensino via computador.

Mas há como mudar, e aqui vão as minhas dicas:

  1. Atenção à organização dos conteúdos, à metodologia e à avaliação! Foco na aprendizagem cooperativa, no design thinking e na diversificação dos modelos de avaliação.
  2. Invista no modo como os alunos e professores interagem. E lembre-se que as verdadeiras interações não acontecem dentro de sala de aula, e sim quando eles têm tempo para conversar, para constituir amigos.
  3. Planeje e organize a escola. O objetivo deve ser a participação de todos não somente nas decisões, mas também na execução dos projetos educacionais. Diretores, coordenadores, professores, responsáveis e alunos são responsáveis pela aprendizagem.
  4. O uso do espaço deve ser repensado. A aprendizagem deve ser livre de paredes, quadros e palestras (ou aulas tradicionais). A verdadeira mudança acontece quando os alunos ocupam a escola para aprender.

O caminho é difícil e exige estudo e coragem dos gestores, mas é perfeitamente possível e está presente em uma quantidade cada vez maior de escolas no nosso país.

Gestão da Educação Básica

Educação do Futuro
Denis Drago
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Pedagogo, pós-graduado em gestão de empresas e quase mestre em administração, comunicação e educação. Estudo desde que nasci e, há mais de 25 anos dedico meu trabalho para o setor educacional. Socio-proprietário da LDrago Inteligência Educacional.

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